terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Mato molhado (A sensação da dor no escuro, depois da chuva...)


Palavras e o vento
se desperdiçam, num vocabulário
sinfônico,
solitário
decadente
e imaginário...

Conversas não tidas
e havidas como espertas,
ágeis
e flácidas,
como o som de minha pele.

Enegrecida, a língua
plácida e púrpura
decanta
os dias, como se fosse coerente
e perfeito, o cabível
e inóquo
pertencer à espera insofismável
do milagre diário
de se querer ser livre, à escolha de qualquer caminho...


Então lápis e giz de cera
colorem paredes, papéis
e camisas de seda branca.
Para que não haja, na inocência
infantil do olhar;
qualquer sombra de incertezas
na autoria...

Desmanchamos o véu da noiva,
afiançando-nos como presentes
em todos momentos, desde que que nos chamem
com antecedência
qual eclipse
ou Carnaval, qual elipse (gram ling num enunciado, supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido pelo contexto linguístico ou pela situação (p.ex.: meu livro não está aqui, [ele] sumiu !).
Giocondas, se escondem
detrás dos armários, embaixo dos lençóis
e acima dos retalhos, revelando-se em linhas tênues
como se fossem deusas
do amor menor, mal pago
bem quisto e desejado
num dia de folga; Normal...


Voltamos de trás pra frente
votamos, por um melhor
Carnaval.


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